10 junho 2017

luís vaz de camões / se as penas com que amor tão mal me trata




Se as penas com que Amor tão mal me trata
Permitirem que eu tanto viva delas,
Que veja escuro o lume das estrelas,
Em cuja vista o meu se acende e mata;

E se o tempo, que tudo desbarata
Secar as frescas rosas sem colhê-las,
Mostrando a linda cor das tranças belas
Mudada de ouro fino em bela prata;

Vereis, Senhora, então também mudado
O pensamento e aspereza vossa,
Quando não sirva já sua mudança.

Suspirareis então pelo passado,
Em tempo quando executar-se possa
Em vosso arrepender minha vingança.



luís vaz de camões
sonetos






1 comentário:

gb disse...

De todos os Grandes, o Maior!
Sempre lembrado, sempre lido, sempre festejado.

Parabéns pelo blogue. Que acervo maravilhoso!